Antes de tudo precisamos entender o que acontece neste período.
Na transição de águas para seca, acontecem mudanças fisiológicas importantes na pastagem e isso impacta diretamente no ganho de peso e taxa de lotação dentro de uma propriedade.
A produção de forrageiras ao longo de um ano não é uniforme, existe uma variação na produtividade do pasto devido aos fatores ambientais, como o clima. E esse é um dos maiores desafios para o produtor.
Podemos dividir em 4 principais impactos diretos de produtividade:
1) Redução do crescimento da pastagem
Com a redução no volume de chuvas, a queda gradual da temperatura e os dias mais curtos, com menor luminosidade, ocorre uma diminuição na taxa de crescimento das pastagens, redução do perfilhamento e menor produção de massa verde.
A partir desse momento, a planta entra em “modo de sobrevivência”, priorizando sua manutenção e deixando em segundo plano aspectos importantes como disponibilidade e qualidade nutricional da forragem.
Nesta fase o capim entra em sua senescência, se tornando mais lignificado (fibroso). Ao mesmo tempo, inicia o florescimento e a produção de sementes, o que resulta em redução da qualidade nutricional da forragem.
2) Queda no valor nutritivo
Nesta fase a planta diminui seu teor de proteína bruta, aumenta o teor de fibras (FDN e FDA), aumentando seu material senescente (folha seca) e assim, tudo isso contribui também para uma abrupta queda de digestibilidade por parte dos animais.
PONTO DE ATENÇÃO!
Quanto maior for a maturação do capim, ou seja, mais velho, maior será o teor de lignina e maior o impacto negativo do ponto de vista nutricional.
3) Mudança na estrutura do pasto
- Menos folhas novas
- Mais colmo
- Mais material morto acumulado
- Redução da relação Folha/Colmo
- O animal passa a gastar mais energia para colher forragem.
A imagem abaixo mostra que a digestibilidade do capim fica abaixo do 60% neste período.
4) Impacto no animal
Se nada for ajustado pode ocorrer redução no ganho médio diário, perda de peso, queda na taxa de lotação e uma piora na eficiência alimentar.
Planejamento para o período seco, por onde começar?
Estratégias e ferramentas para adoção
I. Taxa de lotação
A taxa de lotação deve ser ajustada de acordo com capacidade de suporte da pastagem, tentar manter uma alta lotação no período seco sem uma estratégia bem definida pode reduzir o ganho por animal e trazer prejuízo, o ajuste de lotação pode ser usado como ferramenta importante para anular previamente os riscos.
Como a produção de forragem tem suas oscilações de produtividade dentro do ano, uma maneira de ajuste de lotação é conciliar a compra e venda de animais de forma estratégica para que acompanhe a disponibilidade de pastagem e capacidade de suporte UA/ha dentro do ano.
II. Diferimento ou vedação de pastagem
A estratégia de diferimento de pastagem consiste em escolher uma área da propriedade de pastagem e excluí-la do pastejo por um período, normalmente no fim do verão e, ou, no outono.
O diferimento de pastagem tem como principal efeito benéfico o aumento da capacidade de suporte da pastagem durante períodos de escassez do potencial produtivo forrageiro. Isso garante que os animais tenham acesso a uma quantidade suficiente de volumoso para consumo.
Alguns critérios devem ser observados para uma boa implantação do diferimento de pastagem.
Cuidados com:
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- Taxas de lotação;
- Dimensionamento da área (levando em consideração estacional idade, luz, fotoperíodo, temperatura, disponibilidade de água no solo, cálculo da área);
- Escolha da espécie forrageira;
- Época de vedação e utilização do pasto;
- Recomendação de adubação;
- E uso de suplementação na produção animal.
PONTO DE ATENÇÃO
O diferimento é uma estratégia eficiente de baixo investimento, porém é válida para sistemas onde a taxa de lotação da fazenda não seja superior a 1,5 UA/ha/ano (Martha Júnior et al., 2003).
III. Suplementação volumosa
Essa estratégia é utilizada para manter alta taxa de lotação no inverno, a técnica consiste na ensilagem para produção de volumoso, normalmente feito com gramíneas como milho, sorgo, milheto, braquiária, panicum, aveia, entre outros.
A técnica de produzir silagem no verão para utilizar no inverno além assegurar alta taxa de lotação abre também possibilidade de compra para a fazenda mesmo em período crítico
Possíveis utilidades da suplementação volumosa no inverno
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- Confinamento de animais para engorda
- Semi confinamento
- Sequestro de vacas
- Sequestro de recria
- Suplementação de mantença a pasto
Ambas as estratégias vão aliviar a pressão de pastejo e manter lotações superiores a 1,5 UA/ha/ano com bom desempenho
IV. Suplementação mineral, proteica ou proteico-energética
O principal ponto para tomada de decisão sobre qual suplemento utilizar, é ter em mente a estratégia correta e qual o objetivo a ser alcançado.
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- Deve ser definido qual o objetivo da suplementação (reprodução, recria ou engorda)
- Avaliação da condição de disponibilidade e qualidade da pastagem no momento
A partir destes dados é possível realizar a recomendação para alcançar a meta de desempenho desejada
A suplementação pode variar
De 0,7% a 2,0% P.V (peso vivo do animal) pensando em reduzir a dependência do pasto
De 0,1% a 0,5% P.V pensando em suplementação qualitativa para suprir o déficit nutricional da pastagem.
Sabendo então que o período de seca continuará existindo e que a escassez de chuvas pode causar sérios impactos na produção de alimentos, na qualidade dos pastos, no desempenho e saúde dos animais e na lucratividade da fazenda, ter um planejamento antecipado e estar preparado de forma adequada é extremamente importante para garantir a sustentabilidade e produtividade da atividade.
Este artigo foi elaborado por:
Marcelo Henrique de Oliveira
Engenheiro-Agrônomo pela UNIPAR (2020)
Especialista em Gestão Comercial e Vendas
Coordenador Técnico Comercial / Umuarama – PR
Minerphós Nutrição Animal

